Mais uma vez nós estudantes, professores e técnicos fomos vítimas das ações do Governo Federal, especificamente do arcaico REUNI. Como é do conhecimento de todos o REUNI faz parte de um pacote do Governo chamado “reforma universitária”, que tem o objetivo de abolir com o que conhecemos como Universidade pública, gratuita e de qualidade.
O REUNI propõe o aumento do número de vagas nas universidades sem aumentar os investimentos em igual proporção. Ele obriga as universidades a cumprirem duas metas, a saber: aumento da relação de alunos por professor (de 14 pra um passa pra 18 para um), e nível de aprovação de 90% dos estudantes, ou seja, um programa de aprovação compulsória, já que esse projeto não prevê programas que impeçam a evasão acadêmica ou acompanhamento para estudantes com dificuldade. E isso tudo para receber uma verba extra de até 20%.
Já faz muito tempo que a Universidade Federal de Sergipe vem passando por diversos problemas como, falta de professores, salas de aula cada vez mais lotadas, obras inacabadas, e ainda faltam laboratórios, departamentos etc. A falta de infra-estrutura é tão absurda que os centros acadêmicos estão sendo “tomados” pela Reitoria para serem transformados em departamentos e até em banheiros, os novos centros acadêmicos não têm espaço físico na universidade e ficam cada vez mais marginalizados. Passamos por um processo de precarização da nossa formação, do trabalho docente e dos técnicos, quem vem se aprofundando devido à aprovação antidemocrática dos últimos pacotes do Governo Federal como o REUNI, onde a expansão não corresponde com a demanda real da Universidade.
Nós estudantes sentimos que as coisas não estão nada bem, e nos organizamos através do FÓRUM DE MOBILIZAÇÃO ESTUDANTIL. No primeiro semestre conseguimos através de um ato público uma Audiência Pública com o REI-tor. Na Audiência buscamos sair com respostas concretas para os diversos problemas encontrados na UFS. Porém, nada conseguimos além de promessas, e no lugar de melhorias, o quadro se agravou ainda mais.
A fim de piorar ainda mais nossa formação a Reitoria anunciou recentemente o aumento de carga horária mínima dos professores de 8h para 16h.
Viemos a público repudiar essa proposta de resolução apresentada pela Reitoria, construída sem discussão prévia com a comunidade acadêmica e que traz graves alterações nas normas de regime de trabalho dos professores da UFS.
A proposta da Reitoria ataca frontalmente o modelo de Universidade Pública e de qualidade, pois tem como base o projeto de Lei de carreira do Governo aprofunda a precarização do trabalho docente estabelecendo situações como:
1) Obrigatoriedade de cumprimento de 16 horas em sala de aula para o professor de Dedicação Exclusiva. O que na prática significa inviabilizar o tripé ensino, pesquisa e extensão, tendo em vista que cada hora em sala de aula significa no mínimo, mais uma hora de preparação. Na prática isso transforma os docentes em “aulistas” – assumindo encargos didáticos acima do que comporta a educação de qualidade;
2) Oficializa o trabalho “invisível” do professor a partir de inúmeras atividades que não poderão ser contabilizadas oficialmente;
3) Ampliam os mecanismos de controle sobre os docentes, tendo esses que entregar sua declaração de renda e relatórios de suas atividades semestrais aos departamentos.
Diante desta situação convidamos toda comunidade acadêmica para discutir as possíveis conseqüências deste pacote para a Universidade.
“Tenho que lhe dizer que se pinte de negro, que se pinte de mulato; não só entre os alunos, mas também entre os professores; que se pinte de operários e de camponeses, que se pinte de povo, porque a Universidade não é patrimônio de ninguém e pertence ao povo”
Che Guevara
Assinam esta nota: Comissão de Mobilização da ADUFS-SSIND; Fórum de Mobilização Estudantil da UFS; Coletivo Barricadas Abrem Caminhos; CACEF.
Assinam esta nota: Comissão de Mobilização da ADUFS-SSIND; Fórum de Mobilização Estudantil da UFS; Coletivo Barricadas Abrem Caminhos; CACEF.

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